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Tu És o Glorioso - 3

Botafogo, campeão do Torneio de Paris: honrando as cores do Brasil
Atualizado em 03-02-2015, 18h15

Por Auriel de Almeida - Historiador

Dentre as muitas taças internacionais conquistadas pelo Botafogo, a do Torneio de Paris de 1963 desperta a curiosidade de vários torcedores. Por que os mais antigos dão tanto valor a esse título? Não seria ele semelhante a outros vencidos pelo Glorioso em solo europeu?

A competição, de fato, tinha grande prestígio. O Torneio de Paris foi criado em 1957 como parte das comemorações do 75º aniversário do Racing Club de France, o então mais poderoso time da capital francesa. A ideia era reunir, ao lado do clube anfitrião, as equipes mais fortes da Europa e da América do Sul em uma disputa de curta duração. E como era comum nesse tipo de competição (como a Copa Rio ou a Pequena Taça do Mundo da Venezuela), o campeão era celebrado como um dos maiores times do mundo.

A primeira edição foi conquistada pelo Vasco da Gama, em memorável final contra o campeão europeu Real Madrid. O Racing Club de France venceu as duas seguintes, com Vasco e Flamengo eliminados na semifinal. Em 1960 e 1961 o campeão foi o poderoso Santos de Pelé - eliminado em 1962 pelo campeão Estrela Vermelha, da Iugoslávia. E em 1963 foi a vez do Botafogo de Garrincha, Nílton Santos, Amarildo, Zagallo e cia. ser o convidado do espetáculo.

O JOGO

Após eliminar o belga Anderlecht, o Glorioso se classificou para a final contra o anfitrião Racing. Na véspera do jogo, o clube francês ofereceu aos jogadores e dirigentes cariocas um elegante almoço a bordo de um barco, que percorreu o rio Sena desde a Catedral de Notre-Dame até a Torre Eiffel. Um tratamento de gala para o Botafogo, considerado o favorito e mais importante clube do torneio.

Em campo, o Fogão fez jus à fama. Com uma formação fora do comum - Quarentinha jogou na ponta-esquerda, e Zagallo atuou como meia-armador ao lado de Ayrton - o Alvinegro mostrou um futebol de qualidade, ignorou a chuva persistente, envolveu o adversário no estádio Parc des Princes, venceu por 3 a 2 - placar até injusto - e terminou aplaudido pelos cerca de 20 mil espectadores.

O primeiro gol surgiu logo aos 16 minutos, em uma falha do goleiro Taillandier: Zagallo passou a bola para Quarentinha, que chutou fraquinho entre as pernas do francês. Dois minutos depois, Jair recebeu de Zagallo  dentro da área e marcou: 2 a 0. O placar tranquilo não arrefeceu o Botafogo, que continuou no ataque. O Racing tentava reagir, explorando alguns espaços, mas os atacantes Senac e Heutte, os mais perigosos do time francês, esbarravam na boa atuação de Manga. E antes do final da etapa, Rildo perdeu a chance de ampliar ao entrar de frente para o goleiro Taillandier, que compensou sua falha com uma grande defesa.

O Botafogo voltou para o segundo tempo mais recuado, preocupado apenas em administrar o resultado. E viu o Racing partir para cima e diminuir aos 16 minutos, com Milutinovic fazendo de cabeça após um escanteio cobrado por Van Sam. A vantagem mínima obrigou os alvinegros a voltar ao ataque, mas quem fez outro gol foi o Racing: Senac deu belo passe para Heutte, que entrou na área e concluiu cruzado e rasteiro. Empate em 2 a 2 que levaria a partida para uma prorrogação.

Mas aquele Botafogo tinha estrela - ou melhor, estrelas, e uma delas era Amarildo. A cinco minutos do fim, o atacante recebeu a bola de Zé Maria, deixou os zagueiros para trás, driblou o goleiro rival e tocou para as redes. Um gol lindo que fez a torcida rival aplaudir de pé. E para dar ainda mais emoção, Manga defendeu um chute à queima-roupa do Racing antes do apito final, garantindo a vitória e o título.

O Alvinegro era mais um clube a deixar seu nome na história do Torneio de Paris. Como em seu hino, "honrando as cores do Brasil e de nossa gente", na França e em outros cantos do mundo.

==Ficha técnica==

Racing-FRA 2 x 3 Botafogo
Local: Estádio Parc des Princes (Paris)
Quinta-feira, 13 de junho de 1963
Torneio Internacional de Paris – Final

Racing-FRA: Taillandier, Lelong, Bodin e Polrot; Bollini e Mahjoub; Heutte, Senac, Milutinovic, Van Sam e Charpentier.
Técnico: Pierre Pibarot.

Botafogo: Manga, Paulistinha, Zé Maria, Nílton Santos e Rildo; Ayrton e Zagallo; Garrincha, Jair Bala, Amarildo e Quarentinha.
Técnico: Danilo Alvim.

Gols: Quarentinha aos 16/1ºT, Jair Bala aos 18/1ºT; Milutinovic aos 16/2ºT, Heutte aos 33/2ºT e Quarentinha aos 40/2ºT

Público: 20.000 (aproximadamente)