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É preciso crescer

Mancini aguarda contato por futuro e indica mudanças pelo bem do clube
Atualizado em 05-12-2014, 18:39

O treinador Vagner Mancini concedeu a sua última entrevista coletiva do ano no Stadium Rio antes do jogo contra o Atlético Mineiro, domingo, em Brasília, pela última rodada do Campeonato Brasileiro. Sem a definição do seu futuro em 2015, Mancini torce pelo crescimento do Botafogo e, entre outros assuntos, indicou alguma mudanças que julga necessárias para o crescimento do Glorioso.

Confira os principais trechos da entrevista coletiva do treinador. Mancini aguarda o contato da diretoria para definir sua permanência e não descarta permanecer no clube para a disputa da Série B. Veja:

JOGO FINAL ANTE O ATLÉTICO MINEIRO

- Uma coisa é você viver o momento difícil, clube rebaixado, outra coisa é sua dignidade, que deve ser sempre demonstrada. Embora tivéssemos muitas dificuldades, aqueles que estão ligados ao futebol sempre foram dignos de vestir a camisa e não vão deixar de ser agora  no último jogo, ultimo jogo. Vamos tentar uma despedida honrosa.

O ANO DE 2014

- Independentemente de quem estiver aqui em 2015, é fundamental reestruturar o clube. neste ano muita coisa foi feita errada e as campanhas provam isso com o número de derrotas maior que o de vitórias. a gente escuta alguns ditados ao longo da vida e a partir do momento que chega no fundo do poço tem que se reerguer. De ruim já vimos tudo e agora temos que renovar o espírito, sair lá de baixo e dar as mãos para que 2015 seja a reerguida de um clube que tem uma história linda e tem que voltar a vencer.

COMO QUER VER O CLUBE EM 2016

- Quero ver o Botafogo de volta na Serie A, com um time forte, estrutura bem montada, diferente do que temos hoje. Será fundamental que 2015 seja ano de reconstrução. Difícil pontuar porque faltou muita coisa, muitos erros foram vistos e temos que fazer com que 2015 seja o reencontro de muitas coisas pra que em 2016 o Botafogo possa estar normalizado para fazer também um grande Estadual e Copa do Brasil.

PERMANÊNCIA NO ALVINEGRO

- É natural que, depois de um ano difícil, você tenha várias mudanças. Até a chegada da nova diretoria disse que minha intenção é ficar. Com a chegada eu estou à disposição pra sentar e conversar, pontuar algumas coisas. Não quer dizer que vai ou não vai haver uma renovação. Apesar da fraca campanha alguns se destacaram e isso faz parte da reformulação.

DIFICULDADES NA CAMINHADA

- Diante de tudo que foi visto, houve dignidade no Botafogo. Se fossemos analisar todas as dificuldades, era para todos pegarem a mochila e irem embora. Aguentamos firme, não foi fácil e em todos os jogos a gente estava lá tentando lutar o máximo para que diminuíssemos essa dificuldade. A dignidade maior é tentar dar uma vitória no último jogo para que possamos passar um Natal e Ano Novo um pouco diferente e que possamos iniciar bem, seja quem estiver no clube.

O SENTIMENTO COM A QUEDA

- A sensação é de muita frustração. Me dediquei 24 horas ao Botafogo, esqueci minha vida particular, pessoal, tentei de todas as formas, fiz tudo que podia ser feito. Ao longo do ano tivemos erros e acertos, mas as tentativas foram feitas. Saio de consciência tranquila do que tentei realizar, mas saio chateado por outro lado. A queda é difícil de ser digerida. se chegássemos na última partida com chances seria um alento, fomos rebaixados com antecedência e vamos ter que jogar com dignidade. O mais correto foi o que todos nós fizemos. Remamos e não conseguimos porque o barco acabou afundando. Tivemos profissionais que ficaram até o fim e tentaram mudar a situação.

VÊ SUA SAÍDA COMO CERTA?

- Se tivéssemos falando da diretoria antiga, talvez sim. Não sei o que querem fazer. É difícil falar sem ter sentado e conversado com eles. Existe a necessidade de reestruturação. Em termos de organização do clube, se vou fazer parte disso ou não. Vou esperar o contato da diretoria e tempos pouco tempo para isso.

FAMÍLIA PODE PESAR NA ESCOLHA

- Ao longo do processo não tive desgaste só dentro do clube. Me dediquei tanto ao Botafogo que acabei de certa forma dificultando minha vida pessoal, minha família. Esposas e filhos ficaram muito distantes e não vejo a hora de entrar de férias. Foi muita pressão e as férias nos dá a chance de encontrar as pessoas da família e amigos para poder se reequilibrar.

HOUVE DESGASTE COM O ELENCO?

- Isso é mentira. Vocês que acompanham diariamente já teriam notado. Se tivesse desgaste não estaria aqui. Não consigo comandar um grupo que eu não tenha um bom relacionamento. Natural que tenha um ou outro que não concorde com decisões. São 25, 28 jogadores e tem vaga para 11 no time. Às vezes tem diferença na hora de pensar, uma discussão mais áspera, mas sempre teve muito respeito da minha parte e dos atletas, um relacionamento estreito. Dificilmente vivi em outros clubes o que vivi aqui. Lutamos o tempo inteiro e se houvesse esse desgaste essa estrutura já teria ruído e vocês saberiam.

MUDAR É PRECISO

- Cheguei no fim do processo e não vim com interesse de mexer em nada, tinha que ir para o campo, treinar e fazer jogar. Ao longo do processo tive de fazer outras coisas que vocês já sabem e não tenho que ficar falando e me gabando aqui, foi por necessidade. O contrato está encerrando e, se houver interesse da diretoria, vou sentar e passar o que penso. Seria fundamental que houvesse uma mudança de mentalidade de muita coisa aqui para que eu ficasse. Não quero botar a boca em ninguém, mas muita coisa tem que ser feita.

PROBLEMAS COM A ESTRUTURA

- Não tenha dúvida que sim, mas não falo só do Botafogo. Os times do Rio estão atrasados em relação aos outros centros. Minas, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e até outros estados do Nordeste, que podem dar para o profissional uma qualidade muito maior, com centros de treinamento. O que tinha aqui, dentro de uma passagem rápida, me atendeu. Talvez tenha tido dificuldades pela ordem financeira, se tivesse dinheiro, funcionaria. Não falo nenhuma novidade, mas atenderia as exigências. Não muda o que disse anteriormente, precisa se reestruturar. É muito pouco e o Botafogo merece mais, um CT, uma capacidade maior de revelar jogadores. Revelou muito para o que tinha, mas pouco pelo tamanho do clube. Outros clubes estão se fortalecendo e o Botafogo deve seguir essa tendência.

Marcos Silva