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Para honrar a estrela

Após seis meses, Marcelo Mattos volta ao time focado na reação final
Atualizado em 18-11-2014, 00:05

Em meio aos desfalques importantes, o Botafogo conta com um reforço experiente para as rodadas finais do Campeonato Brasileiro. Recuperado da cirurgia no quadril que o tirou de ação por seis meses, o volante Marcelo Mattos voltou a vestir a camisa 5 no jogo contra o Fluminense e teve atuação destacada pela firmeza e seriedade, além de atuar os 90 minutos mesmo sem ritmo de jogo.

Com uma previsão inicial de 20 dias para voltar, Marcelo aprendeu a conviver com a ausência dos campos e trabalhou calado para voltar no  momento certo. Mattos sempre falava nos corredores do Stadium Rio que voltaria para ajudar ainda em 2014 e cumpriu a promessa.

- Fiquei bastante surpreso por conseguir jogar os 90 minutos, mas estava preparado para isso. Fico triste por não ter vencido o jogo, seria uma vitória importante para nós na competição. Ainda não tem nada acabado e vamos seguir nossa luta para sair dessa situação difícil que nos encontramos - comemorou Marcelo.

Identificado com o Botafogo, clube que defende desde 2010, Marcelo Mattos espera ajudar o Glorioso nas quatro rodadas decisivas no Campeonato Brasileiro. Para o volante de 30 anos, o mais importante é se preocupar com o trabalho dentro de campo e procurar esquecer as contas para deixar a zona de rebaixamento.

- Não fico fazendo muita conta não. Contra o Fluminense fizemos uma final que para nós acabou. Agora temos outra decisão com o Figueirense e não podemos perder. Acredito que esse jogo e a partida contra o Chapecoense serão os mais difíceis. O Santos não briga mais por nada no campeonato e vamos torcer para que o Atlético Mineiro conquiste a Copa do Brasil - confia o camisa 5.

Confira os principais trechos da entrevista coletiva de Marcelo Mattos:

PEDIDO AO TORCEDOR

- Nossa torcida se sente em casa no Maracanã também, assim como no Engenhão. Estamos num momento muito difícil e dependemos muito do torcedor. Foram muitas mudanças no decorrer desse ano e estamos fazendo o máximo para tirar o Botafogo dessa situação e trilhar um caminho de conquista no ano que vem. São muitos garotos que precisam do apoio do torcedor e sem eles não vamos chegar a lugar nenhum.

FIGUEIRENSE NO CAMINHO

- Vai ser um jogo muito difícil. Talvez o Figueirense venha fechado e temos que criar situações de gols. Acreditava que, se tivesse entrado a primeira bola contra o Fuminense, dificilmente perderíamos o jogo. Não aconteceu e temos que ter o cuidado necessário para que não dê errado contra o Figueirense.

EM SINTONIA COM O GRUPO

- É difícil falar porque eu não estava acompanhando os jogadores diretamente durante os treinamentos. Difícil falar do momento que desandaram as coisas, mas temos que pensar no espírito que tivemos no jogo contra o Fluminense. É complicado, mas não podemos parar nunca. Enquanto houver a chance matemática nós teremos esperança.

SEM OLHAR PARA TRÁS

- Os problemas passaram e agora temos que esquecer. Não temos que ficar lamentando, agora é daqui para frente. Claro que quando você trabalha num ambiente mais tranquilo as coisas acontecem melhor e fica mais fácil lutar com tudo calmo. Enfrentamos tudo isso e ainda temos chance. Ninguém aqui quer saber o quanto o Botafogo deve. Para nós o que interessa é sair dessa situação. Para muitos é uma fase difícil, mas sair dela pode ser melhor que um título.   

EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

- Tem que superar. Eu estava esperando jogar em 20 dias depois de uma cirurgia simples, mas acabou atrasando tudo. Passei por cima disso tudo. Estava 'escondido' na academia fazendo meus exercícios sozinho e veio a oportunidade. Creio que eu passo para esses jogadores essa superação. Esses dias veio um menino com câncer nos visitar numa situação muito difícil, mas ele não desistiu. É um exemplo para nós e não vamos desistir.  

HORA DE JOGAR JUNTO

- Eu quero muito que o torcedor do Botafogo compareça. Quantos jogadores da base tinham em campo contra o Fluminense? O botafoguense gosta de ver os garotos jogarem e devem ir para apoiar. O clube está vivendo um momento difícil e esse jogador mais jovem precisa desse calor da torcida. Peço a eles que lotem São Januário. A gente precisa.

QUERENDO JOGO

- Claro que dá (jogar os 90 minutos). Talvez até pelo momento que o Botafogo está vivendo e pela responsabilidade que eu tenho comigo e com o grupo. Isso me deu muita força para jogar esse tempo. Para falar a verdade, se eu senti alguma dor, acabou passando despercebido. Espero jogar os 90 minutos contra o Figueirense e poder comemorar a vitória.

CHAMOU A RESPONSABILIDADE


- Eu tento ter essa responsabilidade de chamar e trazer o grupo para saber que tudo é possível. Achei que seriam 20 dias, mas foram seis meses parado. Vi meu filho cobrar a volta aos gramados e eu voltei. Ele me ajuda em casa até nos alongamentos. Queria voltar a ajudar antes, mas essa foi a oportunidade que Deus me deu nesse momento. São companheiros jovens, mas que estão acreditando também.

O Botafogo enfrentará o Figueirense em partida válida pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro. O palco da batalha será o Estádio de São Januário, quarta-feira, às 19h30. O Glorioso ocupa a 18ª colocação com 33 pontos somados.

Marcos Silva