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Sem jogar a toalha

Mancini garante motivação para recuperar o Botafogo e pede união de forças
Atualizado em 08-10-2014, 23h33

Uma derrota em casa em um confronto direto traz desconforto, mas não vai abalar o Botafogo. É com essa linha de pensamento que Vagner Mancini deu entrevista coletiva nesta quarta-feira, após o revés por 1 a 0 para o Palmeiras. O treinador alvinegro garantiu que sua equipe vai lutar até o fim e pediu união de forças na reta final.

Confira os principais trechos da entrevista:

NÃO DESISTIR E CONVERSA COM TORCEDORES

- Desistir de maneira alguma. Havia dois torcedores, um pedia a saída do Zeballos, outro a entrada do Ferreyra. Achei estranho e fui falar que o Ferreyra não estava no banco. Sabemos a aflição do torcedor. Não houve discussão, pois entendo o lado do torcedor e espero que ele entenda nossa posição. Brigamos com todas as nossas forças, apesar da série de dificuldades. Há um montagem ao longo do processo, muitas vezes custa caro. Não vamos jogar a toalha. Ninguém queria a derrota, mas há a necessidade de refletir e pensar. Faltam seis vitórias, podem acontecer ainda. Vamos ter que brigar e unir forças. Se todo mundo desacreditar internamente no clube, vai ficar mais difícil.

FATORES EXTERNOS

- Isso já está atrapalhando faz tempo. Quando chega em situação de decidir, o peso fica maior. Hoje alguns atletas sentiram o jogo, o desempenho não foi igual. O fato de jogar no Maracanã e ter o desagrado do torcedor mexeu com alguns atletas. No segundo tempo, fomos na base da vontade, o que nunca faltou. Mas é óbvio que tem um peso diferente. Ter que ganhar não estando bem, com atletas entrando, faz ter peso excessivo nas costas de alguém.

ESCLARECIMENTO

- A entrega do cargo aconteceu quando o presidente falou que teria mudanças, eu disse que o meu cargo estava à disposição. Ele falou que não ia ter mudança na comissão, então vamos até o fim. Todos que vivem o Botafogo, seja na parte administrativa, apoio, atletas, comissão técnica, existe uma série de aprendizados que diariamente temos que ver. Muita gente tem que sair do que normalmente faz, atletas com peso excessivo nas costas, mas todo mundo tem que dar as mãos nessa hora. O que importa é como reagir. Hoje vi um time que reagiu pouco, não esteve em ponto ideal de marcação e de jogo bem jogado. Tudo isso acaba pesando de forma mais forte. Temos que pensar em mudar a situação.

JOBSON

- O Botafogo hoje precisa mais do Jobson em campo do que o Jobson do Botafogo. Tenho escassez de atletas na frente, Ferreyra entregue ao departamento médico, outros não rendendo. Jobson tem histórico no clube, em 2009 ajudou muito a se livrar. Ninguém está colocando o Jobson maior que a instituição. É muito fácil falarem isso na TV, mas quem está na coletiva (repórter) tem que defender. Sei a história do Botafogo, todo mundo que jogou e o tamanho dessa estrela. Acontece que o Jobson hoje é muito importante. Qualquer frase pode ser interpretada de qualquer maneira, basta ter boa vontade.

- Jobson viaja (para o jogo com o Corinthians, em Manaus(, isso já está certo. Daqui até o jogo vamos ver o que faremos. Não sei se suportaria o jogo inteiro, mas 50, 60 minutos. Existe a possibilidade.

NÚMEROS

- Os números são horríveis, por isso o Botafogo está em último lugar. Daqui para a frente podemos reverter esse quadro. Os números podem continuar horríveis pela história do clube. Mas para falar em matemática tem que olhar para tudo que foi feito, não faz que salários sejam pagos, que tenhamos atletas à disposição. Isso tem que ser enxergado.

FORÇA PARA REAGIR

- Sou um cara forte, senão não estava aqui falando. Estou no futebol há 32 anos, já fui rebaixado, campeão, vivi momentos dificeis e de glória. A vida me ensinou muita coisa. Não vai ser qualquer tipo de coisa que vai me desviar do caminho. Hoje no Botafogo não é fácil. Tenho certeza que todos vocês sabem disso, mas ao mesmo tempo temos que lutar pelo pão de cada dia. É tentar aparar uma série de coisas que não caminham bem, saber os limites de cada um e tirar o máximo a partir do momento que todos dão as mãos. Internamente temos um ótimo ambiente, mas quando a bola rola é o limite extremo que cada um pode chegar.

NÃO SE ABATER

- Hoje achei que bateu um pouco de conformismo. A equipe em alguns momentos entendeu que pode acontecer. Mas isso não pode, de maneira alguma. Temos que levantar a cada dia, mostrar exemplos de superação, seja no futebol ou na vida. Cada um dos atletas se superou em algum momento da vida. Por isso não vamos deixar a peteca cair. O Botafogo tem brigado, não falta luta, talvez um pouco mais de futebol, de eficácia nas coisas feitas. Temos que estender a mão a cada um para passar à frente e sair dessa situação incômoda.

JOGOS EM MANAUS

- Se for analisar de forma simples seria bom jogar aqui, mas não saímos vitoriosos nos últimos jogos no Maracanã. Há a necessidade da entrada de dinheiro no clube, temos que entender. Por isso vemos a decisão ser acertada, era uma situação de emergência. O Botafogo tem que andar. Faltava dinheiro para a estrutura andar. A partir do instante que vê a equipe ficando para trás, você tem que tomar medidas emergenciais,

APOIO DO TORCEDOR

- A torcida tem feito o papel dela, fica chateado quando não vê a equipe fazendo o que queria. Esse apoio do torcedor tem que existir. O Botafogo necessita desse apoio. Se fosse situação diferente, talvez isso aqui estivesse um vulcão. Por mais que haja descontentamento, nada passa dos limites. Também queremos lutar para sair dessa situação desconfortável.

Danilo Santos