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Por união de forças

Mancini busca recuperar ambiente e pede apoio de todos para Botafogo reagir
Atualizado em 28-09-2014, 19h36

Vagner Mancini considerou que o Grêmio foi melhor para vencer por 2 a 0, neste domingo, no Maracanã. Mas lembrou que seu time teve chances para tornar a partida diferente. Como não há tempo para se lamentar ou remoer resultado, o treinador já pediu uma união de forças para o Botafogo se recuperar e reagir rapidamente, tendo em vista que fará jogos decisivos pela Copa do Brasil (Santos, quarta-feira, no Maracanã) e pelo Campeonato Brasileiro (Vitória, sábado, no Barradão).

Confira os principais trechos da entrevista coletiva de Vagner Mancini:

ANÁLISE DO JOGO

- Sabíamos que íamos enfrentar uma equipe com parte defensiva em excelente momento, 8 jogos sem tomar gol. Mesmo assim, a chance inicial foi nossa, acabamos não fazendo. Demos duas oportunidades ao Grêmio em lances isolados. É um time bem organizado, que soube administrar o jogo. O Botafogo foi bem até os 25 do primeiro tempo, depois passou a oscilar. O Grêmio já tinha tido chances reais que o Jefferson interveio. Diante dos nossos erros, demos chance para fazerem o gol e administrarem a partida.

DIFICULDADE

- O Grêmio tem um sistema de jogo, com Dudu de um lado, Ramiro no outro e Luan no meio, que marcam os laterais e o meio, e jogam. Embora tenhamos atacantes pelos lados, são atacantes, não tem característica de jogar e armar a equipe. Quem saísse na frente ia administrar a partida. Se fôssemos nós, íamos ter espaço para usar a velocidade. Possibilitamos a característica do Grêmio e começamos a oscilar bons ataques com chances deles. Os erros de passe foram fundamentais para que eles nos pressionassem. Erramos passes que dariam a chance da finalização. São erros que acontecem, não é à toa que o Grêmio está em quinto. Tivemos bons momentos e outros muito ruins, dentro desses eles fizeram dois gols.

- O Grêmio sofreu sim, mas o Botafogo sofreu mais no jogo. Enfrentou uma equipe que esteve mais organizada, com a bola nos pés a maior parte do tempo. Isso nos fez sofrer em termos táticos, errando passes. Demos chance ao Grêmio de se organizar. Quando tivemos a chance de machucar, não fizemos. É óbvio que quem não faz acaba surpreendido rapidamente, foi o que aconteceu hoje.

- Eu sabia que a maior posse de bola do Grêmio seria destacada. A estratégia era machucar o Grêmio, não tantas vezes pela força da defesa deles, e até fizemos isso. Roubamos quatro bolas no setor de meio-de-campo e deveríamos ter machucado ou finalizado. Se saíssemos na frente em situação dessas, estaríamos falando de vitória do Botafogo. Perdemos a bola e proporcionamos mais posse ao Grêmio. Eles fazem cinco jogadores no meio, é difícil ter consciência tática e todo mundo marcar no setor onde jogam. Deveríamos ter machucado mais o Grêmio.

EMERSON (será julgado 2ª no STJD)

- Sinceramente, não acredito em 18 jogos de suspensão. Não fez nada demais para isso. Há pouco tempo, vimos uma redução do Petros cair de 6 meses para 3 jogos. Tenho certeza que vão entender o momento do jogador. Não sou advogado e não estou aqui para defender ninguém, mas nessa hora existem dois pesos. O jogador não falou nada demais, é o que todo o Brasil sabe. Ele falou a coisa errada na hora errada ou a coisa certa na hora errada, depende da interpretação. Ele está arrependido, vai sentar e dar depoimento, isso vai ajudar.

UNIÃO DE FORÇAS

- A diretoria está presente sim. Wilson Gottardo está diariamente no clube e mantemos contato. Há desgaste natural em função de problemas nos pagamentos, mas estão todos dentro do vestiário. Neste momento, temos que contar com todas as forças. O Botafogo vai sair com a força dos jogadores, da comissão técnica, dos funcionários, da torcida e da imprensa, que tem peso importante. A situação é mais difícil a cada dia, liga-se o botão de alerta a cada derrota. O Botafogo é feito por muito mais gente, todo mundo vai ajudar a sair.

ERROS DECISIVOS

- Em algumas oportunidades, teríamos a possibilidade de um passe, mas acabamos não fazendo. O Grêmio fez dois gols dessa forma, o Zé Roberto foi ao fundo e viu o Barcos, não chutou. O fato de enfrentar uma equipe que está em quinto, com oportunidades reais em que se erra o passe... No lance do primeiro gol do Grêmio, a bola era nossa, o Dankler perdeu a dividida, o Ramírez escorregou e saiu o gol. No primeiro tempo, finalizamos de dentro da área duas vezes. Temos que ser matadores diante de certos adversários, senão perdemos o jogo. O Grêmio ganhou o jogo porque foi melhor. Tivemos oportunidade de mudar o curso do jogo, não fizemos e o Grêmio venceu.

ATUAÇÔES INDIVIDUAIS

- Hoje vi alguns atletas abaixo do que podem jogar, o que acabou influenciando de forma muito forte no desempenho tático, equilíbrio e organização. Em todos os setores tivemos alguém que não foi bem. Diante do Grêmio ou de certas equipes, um jogador a menos já dá peso grande. Hoje sofremos muito com isso aí. As substituições melhoraram um pouco, mas a junção dos atletas não foi boa, por isso saímos derrotados.

ZEBALLOS

- Zeballos é um atleta que precisa estar bem no jogo, senão será vaiado. Não é um jogador rápido, se expõe e tenta as jogadas mais difíceis. Não vai fazer o que o torcedor quer, porque não é característica dele. É uma peça importante para mim. Tenho que utilizar o jogador, não posso tirar por causa de vaias. Temos que contar com todas as nossas forças, os atletas têm nos ajudado.

REFLEXO PARA A COPA DO BRASIL

- Perder é sempre ruim, péssimo para equilíbrio emocional e confiança do atleta. O vestiário fica com aquele ambiente de chateação. Até quarta-feira removemos isso tudo, fazemos ter um novo ambiente. Eu gostaria de vir falar só de vitórias e resultados expressivos, mas isso é irreal no futebol. Temos que recuperar os atletas na parte física, tática e no entusiasmo. Vamos fazer um jogo de 180 minutos e precisamos de uma consistência muito maior.

Danilo Santos