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Descanse em paz, Marinho

Botafogo agradece a lateral-esquerdo por tudo que fez pelo clube
Atualizado em 01-06-2014, 11h00

O segundo maior lateral-esquerdo da história do Botafogo, capaz de honrar a camisa 6 de Nilton Santos no clube e na Seleção Brasileira. Um verdadeiro craque, que sempre mostrou sua paixão pelo Glorioso, e infelizmente, nos deixou neste domingo. O clube lamenta o falecimento de Marinho Chagas, aos 62 anos, em João Pessoa, na Paraíba, após uma "hemorragia digestiva alta", manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos.

O velório ocorre neste domingo no Estádio Frasqueirão, em Natal. O sepultamente está previsto para o cemitério Morada da paz, nesta segunda-feira. O Botafogo decreta luto oficial de três dias, hasteia sua bandeira a meio mastro em General Severiano e agradece ao craque por tudo que fez pelo clube. Em lembrança a ele e ao jornalista Mauricio Torres, a CBF  determinou um minuto de silêncio no jogo com o Corinthians, neste domingo, pelo Campeonato Brasileiro

A CARREIRA


Irreverente, Francisco das Chagas Marinhos chegou ao Botafogo em 1972 e logo mostrou que seu espírito polêmico seria, além de seu estilo agressivo de jogo, um detalhe significativo na trajetória daquele lateral-esquerdo de fala engraçada e hábitos diferentes. Cabelos longos e esvoaçantes, dinâmico pela própria essência de seu futebol e com um chute fortíssimo de perna direita, ele agradou rapidamente. Logo tornou-se um dos ídolos do Botafogo ao longo da década de 70. Veloz, com sua tendência ofensiva e com seus gols de falta, sempre com chutes de distâncias improváveis, aquele potiguar extrovertido positivamente virou um personagem tipicamente carioca. Ele enlouquecia seus companheiros de defesa, mas deixava os torcedores, de todos os clubes, extasiados com sua velocidade ofensiva. Curiosamente, passou a carregar a aura de craque e também o estigma de irresponsável. Mas sua simpatia e simplicidade superavam barreiras, até mesmo a rivalidade entre as torcidas, e paralelamente abrandava as críticas.

Marinho era bem recebido em qualquer ambiente. Em campo, alguns o consideravam um jogador à frente de seu tempo, sempre buscando um caminho rumo ao ataque pela lateral, características que mais tarde passaram a ter os alas. Apesar da concepção de jogo ofensivo, seu espírito na época causava controvérsia e atraía opositores. Nada que o impedisse de ter sido um dos principais jogadores do Brasil na Copa de 1974 e de ter se tornado um dos poucos que deixaram a Alemanha com prestígio intacto. Foi eleito o melhor lateral-esquerdo da competição. Voltou ao Brasil com uma proposta milionária do Schalke 04, o clube de maior torcida na Alemanha, que acabou sendo recusada porque seu primeiro filho estava para nascer.

Marinho, que começou a carreira no Riachuelo, destacou-se no ABC de Natal, de onde se transferiu para o Botafogo. No Glorioso, ficou até 1977. Jogou também no Fluminense, Náutico, São Paulo, Bangu, Fortaleza e Naútico. No exterior, atuou em clubes dos Estados Unidos, como New York Cosmos, Los Angeles Heat e Fort Lauderdale Strikers. Seu fim de carreira aconteceu em 1988 na Alemanha, jogando pelo Augsburg. A Bruxa disputou 36 jogos pela Seleção Brasileira, marcando quatro gols.

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