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Às claras

Jefferson e Rabello concedem coletiva sobre o momento atual e lamentam protesto violento
Atualizado em 08-02-2018, 13:11

Um dia que nenhum botafoguense gostaria que existisse, mas que precisa ser encarado de frente. O Botafogo foi eliminado de forma precoce da Copa do Brasil para a Aparecidense, um golpe duro no torcedor e no elenco alvinegro. Em entrevista coletiva, Jefferson e Igor Rabello expuseram questões importantes da derrota em campo e do comportamento violento de algumas pessoas que receberam a delegação alvinegra com pedradas no retorno da equipe ao Rio de Janeiro. Entristecidos, os jogadores repudiaram o ato de violência e reafirmaram o compromisso para recolocar o Botafogo no rumo certo. O pacto começa no clássico contra o Flamengo, sábado, pela semifinal da Taça Guanabara. Um jogo, segundo eles, para doar sangue.

Jefferson abriu a coletiva comentando sobre uma filmagem ainda no campo de jogo após a partida em que estaria rindo e "fazendo pouco caso" da eliminação da equipe. O ídolo explicou o ocorrido e relatou sua tristeza diante de uma repercussão completamente equivocada.

- Sei que vocês tem muitas perguntas para fazer para gente, mas gostaria de abrir falando sobre o episódio que me envolveu no jogo. Após a partida me filmaram sorrindo e muitos disseram que não me importei com a desclassificação do Botafogo. Juntamente com o grupo e com minha família estou bem tranquilo. Sei do meu caráter e de tudo que já fiz pelo Botafogo. O que mais me doeu foi ver a minha torcida, que amo de paixão e por quem já fiz de tudo, duvidar do meu caráter. É como se sua esposa e filhos duvidassem do seu caráter. Sei que os verdadeiros botafoguenses não duvidam do meu caráter. Se fossem de outros clubes eu não me importaria. Praticamente não dormi após a nossa queda da Copa do Brasil. Lamentamos muito, isso vai doer por bastante tempo, mas temos que levantar a cabeça, temos muitos jogos pela frente - disse Jefferson.

Jovem de grande responsabilidade e identificação com o clube, Rabello também falou e citou o cenário que jogadores e comissão técnica encontraram na chegada ao Rio de Janeiro. O zagueiro não condenou o protesto dos botafoguenses que foram cobrar a equipe, mas sim o ato violento daqueles que apedrejaram o ônibus da delegação.

- Acho que a torcida do Botafogo tem total direito de fazer protesto, reclamar, levar cartazes e não gostar do resultado, assim com nós não gostamos. Mas não da forma que foi. Com violência não concordamos. Se uma pedra daquela nos acerta poderíamos estar no hospital. O torcedor pode vir aqui nos cobrar, vamos recebê-los no Estádio, mas não com violência. Todos aqui acordam cedo e se doam pelo clube - falou Rabello.

Confira as declarações dos jogadores do Botafogo sobre o momento da equipe:

JEFFERSON

REPÚDIO AO ATO VIOLENTO

- Acrescentando um pouco sobre a nossa volta ao Rio, quero dizer que nós sempre pregamos a paz nos estádios, principalmente com a violência que vivemos aqui no nosso Rio de Janeiro. Crianças sendo mortas, assassinatos. Repito, não foi a maioria da torcida do Botafogo. Muitos estão repudiando a ação dos que estiveram lá. Foi uma coisa muito triste. Saímos do aeroporto como bandidos, abaixados. Se uma pedra pega de jeito poderia ter até matado alguém. Estamos envergonhados com a eliminação, a obrigação era do Botafogo. Infelizmente isso acontece no futebol e ficamos tristes com isso. Repudiamos o que aconteceu no aeroporto e brigamos pela paz.

A PRESSÃO NO TREINADOR

- Já vivi muito disso no futebol. Pressão em jogador, treinador, que se não ganhar vai cair... Isso não cabe a nós jogadores e sim para a direção. Não vamos jogar contra o Flamengo só pelo Felipe, seria egoísmo. Quando entramos em campo envolve muita coisa. Claro que o Felipe tem muito pouco tempo de trabalho ainda e sabemos que a pressão está sobre ele. Vamos fazer desse jogo contra o Flamengo a nossa vida. Vamos por ele, pelo Pimpão, pelo Gilson, pelos nossos torcedores que estão sofrendo nas ruas e também pelas nossas famílias. Vamos por todos, pela nossa família. O treinador só fica com os resultados.

É PRECISO MELHORAR

- Precisamos melhorar muito, cara. Isso é visível, mas é como eu falei, tivemos praticamente dez dias de pré-temporada, com um treinador novo e muita informação que ele teve só um mês para passar. As pessoas de fora não nos dão esse tempo. O Felipe está se desdobrando, vídeo todo dia. A evolução acontece com o tempo, mas sabemos que futebol é resultado. Sabemos que precisamos melhorar, o Felipe nos cobra em relação a isso, mas para fazer o que ele quer precisamos de tempo.

QUINTO JOGADOR QUE MAIS ATUOU COM A CAMISA ALVINEGRA: 442 JOGOS

- Representa muito e foco a longo prazo. Não entrei nesse jogo pensando em igualar a marca do Manga. Penso em vitórias, em títulos. Quero chegar no fim do ano com vitórias e um título. Não adianta chegar no fim do ano com 500 jogos e o Botafogo na Série B. Eu troco tudo. Isso que mais importa.

A DOR DA ELIMINAÇÃO

- Depois do jogo ninguém dormiu. Ficamos pensando, remoendo e doeu. Um resultado assim tem que doer. Nos reunimos, sabemos da pressão. O Felipe reuniu a gente e todos ficaram mal. Começamos a abrir coisas internas e gostaríamos de dizer para todos os torcedores que isso também está doendo em nós. Está doendo e todo mundo tem que saber disso. Mas temos que virar essa página o quanto antes, temos um jogo importante.

O PESO DA TEMPORADA PASSADA

- Pesa e isso com certeza é consequência. Claro que o Felipe não carrega a culpa do que aconteceu nos anos anteriores e sabemos que somos responsáveis pelo hoje. Como um dos líderes do Botafogo eu vejo que o clube precisa se preparar para conquistar um título de grande expressão pelos torcedores. Vemos a agonia do torcedor e isso nos incomoda também. Não que o Carioca não seja importante para nós, vamos brigar por isso, mas temos que nos preparar para esse título de grande expressão.

APOIO E PEDIDO DE CONFIANÇA

- Pelo contrário. A diretoria que procurou os jogadores, isso que é o importante. Estão preocupados com a integridade dos jogadores. Tomarão as devidas providências quanto ao fato. Conversar e cobrar é o direito de cada torcedor, mas sem violência. Não é por esse caminho que vamos ganhar títulos. Todo mundo tem contrato aqui e vai cumprí-lo. Tive uma experiência aqui com o Rafael Marques, que foi massacrado e quando saiu do clube o pediram para ficar. Ele me disse que jogador funciona com confiança, isso muda o jogo. Dentro do jogo é hora do apoio, confiança, mas depois é outra coisa.

JOGO CONTRA O FLAMENGO

- Se a preocupação fosse só o Dourado estava até bom. O Flamengo conta com uma grande equipe, que praticamente não foi alterada em relação ao ano passado e não podemos esconder que o Flamengo vive um momento melhor. Não há favoritismo, será um jogo pegado e bom para quem for assistir.

PRESSÃO POR VITÓRIA E SANGUE PELA EQUIPE

- A pressão sempre irá existir, mas as coisas mudam muito rápido. Você está por cima, outro dia por baixo. O Felipe é um treinador novo, mas que já passou muita coisa no futebol. Já enfrentou o Flamengo muitas vezes. Sabemos que teremos um jogo importante contra o Flamengo e agora só temos uma maneira, que é vencê-los. Respeitamos, mas vamos para isso. Não garantimos que vamos vencê-los de forma fácil, mas vamos deixar tudo lá dentro, suar sangue por essa classificação.

DOURADO NOS PÊNALTIS

- O Dourado é um batedor que não tem canto definido. É um dos melhores, espera um passinho do goleiro. É um pênalti mais na experiência e com segredos que não posso revelar aqui.

 

IGOR RABELLO

COBRANÇA DIRECIONADA

- Sempre a torcida vai pegar no pé de um ou de outro, é normal e vemos isso em outros clubes. O Gilson e o Pimpão já passaram por muitas coisas e estamos com eles. O que aconteceu não foi culpa só deles e vamos passar confiança para que superem isso e nos ajudem nesse jogo contra o Flamengo.

HORA DE FOCAR NO CLÁSSICO

- Agora temos que pensar no próximo jogo. É um confronto muito importante e temos que trabalhar firme nos treinos para nos classificarmos.

ESQUEMA COM TRÊS ZAGUEIROS

- A opção da formação foi do Felipe e a aceitamos. Havíamos treinado algumas vezes e falhamos por não cortarmos as bolas. Não podemos tomar dois gols dessa maneira. Se quisermos jogar com essa formação precisaremos trabalhá-la.

OLHO NO DOURADO

- O Dourado é um ótimo jogador tanto por baixo quanto pelo alto. Esperamos que ele não chegue tão preparado fisicamente por conta do tempo que ele ficou sem jogar pelo Fluminense.

Marcos Silva