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Sem se abalar

Jair lamenta derrota, mas confia no grupo para reverter situação mais uma vez
Atualizado em 02-10-2017, 10h00

Derrota nunca está no script, ainda mais levando dois gols nos minutos finais. Mas, no Botafogo, em vez de caça às bruxas como procurar culpados ou apontar erros individuais, Jair Ventura pega lições anteriores para superar o revés por 3 a 2 para o Vitória, neste domingo, no Estádio Nilton Santos.

O técnico explicou que a parte física foi primordial, lamentou as lesões e garantiu que não vai jogar a toalha. O Botafogo, com 40 pontos e na zona de classificação para a Libertadores, segue forte.

Confira os principais trechos da coletiva de Jair:

PARTE FÍSICA

- Fica muito parecido mesmo com a situação do São Paulo, mas com uma história diferente. Terminamos com um jogador a menos e duas substituições por ordem médica. Pimpão voltando de lesão, com a mão o tempo todo na posterior. Brenner cansado, precisa de ritmo. Então quando perdemos o Victor e o Carli, só fiz uma substituição tática. E Mancini foi jogando atletas descansados. Colocou jogadores velozes, ganharam na parte física. Ficamos amarrados. O Vitória mais leve, mais fresco, a virada foi igual contra o São Paulo, mas teve essa questão que foi diferente. Todos os times querem vencer em casa, mas o Vitória fora de casa é muito perigoso.

COMO LIDAR

- Eu acredito que quando perde não é hora de falar muito. Não falei. A gente vai ter tempo para trabalhar. Tem treinador que gosta de falar alto, quebrar tudo, a minha maneira é um pouco diferente. Vamos analisar. Não posso querer matar os jogadores, eles que vão comigo até o fim do ano.

CASO ROGER

- Essa questão do Roger, um amigo nosso, um cara maravilhoso, supera qualquer questão no campo. A vida segue. Não vou matar meus jogadores porque perderam em casa, não. Estou aqui como o técnico que está há mais tempo na Série A, isso é porque eles fazem tudo o que eu peço.

O CRÉDITO DA FOTO É OBRIGATÓRIO: Vítor Silva/SSPress/Botafogo  
Jair usou camisa em homenagem a Roger, que tem um tumor renal

- Roger vai fazer falta em tudo. É uma perda irreversível. Na ausência do Carli, é o capitão. Já virou meu amigo. A gente brinca que tem de ter uma distância com a imprensa e os jogadores com distância com os treinadores. Nunca saí com o Roger, mas a gente tem afinidade. É um cara que adoro, uma perda bem difícil, mas tudo que acontecer agora não será nada perto da situação de saúde. Nenhuma situação esportiva pode estar na frente da saúde. Troco qualquer coisa desse ano ou que poderemos ter pela recuperação dele. Estamos muito otimistas, ele também está. Se coloca no lugar do ser humano, um ano maravilhoso, fazendo gols, e tem de sair. Vamos dar força a ele, estamos com ele, é um cara positivo, e tenho certeza que vai tirar essa de letra.

SEM DESANIMAR

- Os resultados vão dizer o nosso limite. Eu não vou jogar a toalha. O Carli saiu com um corte na perna, vamos usar a base, o grupo, não vou jogar a toalha não. A gente está vivo. Não trabalho com meta longa, trabalho jogo a jogo. O meu artilheiro não joga mais, o Victor não deve ser problema, o Carli não sei, temos de vez essas coisas e no final do ano a gente vê o que consegue. Vamos mais fortes para reverter a situação.

ANÁLISE TÁTICA

- Cada jogo é uma história, eles fizeram gol cedo também. Se a gente não conseguisse propor o jogo em casa, não teríamos chegado até onde fomos na Libertadores. O Botafogo nunca teve um ano desse. Já perdemos jogos na transição como o Vitória fez e também propondo jogo e mantendo a bola. Cada jogo é uma história.

- O Vitória fecha muito esse corredor central, tentamos buscar as laterais, mas marcaram bem nossos volantes. Tiveram oportunidades, o Neilton vem fazendo um grande ano como um falso 10, fica sempre flutuando. Até tentamos subir um pouco a linha para não dar tanto espaço. Não pude jogar o time mais para frente por conta das substituições que precisei fazer.

- O Neílton vem jogando muito bem, a gente tem um observador técnico que pedimos para listar os jogadores que estão em melhor momento, o primeiro citado foi o Neílton. Vem assumindo a responsabilidade, sendo protagonista. Sobre a semelhança do jogo no primeiro turno, em casa tiveram de sair e nos deram mais espaço. Hoje jogaram como gostam. É estratégia. O que não é proibido é permitido.

PESO DA DERROTA

- Motivação, emocional, peso nenhum. Aqui não tem peso, não tem lástima, quando a gente perde não se acha o pior time do mundo. Ficamos tristes por não dar alegria à nossa torcida. O Botafogo é gigante, tem de vencer, agora emocional? Já demos a volta por cima outras vezes, não vai ser uma derrota que vai fazer a gente acabar no Brasileiro.

BRENNER

- Foi bem. Atacante vive de gols e fez dois. Mas cansou, precisa de ritmo. O Pimpão também. E ficamos um pouco vulneráveis pelo cansaço desses jogadores, o que se agravou mais ainda quando ficamos com um a menos. Fez total diferença. Tenho mais de 80 jogos e não costumo dar desculpa para derrota, mas ficou evidente essa situação.

2018

- Estamos primeiro com o objetivo de manter a equipe, ter uma base para iniciar o ano. Sobre o calendário, é ruim perder uma, duas semanas de trabalho para iniciar o ano. É péssimo. Em 2018 se vamos jogar Libertadores ou pré, não sei. Mas vamos buscar o melhor que pudermos. No fim do ano vamos ver. O futuro não sei.

Assessoria de Imprensa