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Presidente concorda com Jair sobre reforços e explica a situação do clube
Atualizado em 13-06-2017, 14h30

Nas oitavas de final da Conmebol Libertadores Bridgestone, nas quartas da final da Copa do Brasil e iniciando a caminhada no Campeonato Brasileiro, o Botafogo entra em fase decisiva da temporada forte e unido. O Presidente Carlos Eduardo Pereira concedeu entrevista nesta terça, no Estádio Nilton Santos, manifestou apoio ao elenco e à comissão técnica e explicou a situação do clube.

Na entrevista, o Presidente comentou o tema mais levantado nas últimas semanas no Botafogo: reforços. Carlos Eduardo Pereira concordou com as declarações de Jair Ventura, técnico que pediu contratações, e esclareceu que a Diretoria está realizando todos os esforços possíveis.

Confira os principais trechos da entrevista:

SORTEIO DA CONMEBOL LIBERTADORES BRIDGESTONE

- Hoje, às 19h, eu e o Lopes (Antônio, gerente de futebol) estamos embarcando para Assunção, no Paraguai, para o sorteio das oitavas da Libertadores, e na quinta para a instalação da subcomissão de clubes criada pela Conmebol, que tem prazo de funcionamento para o próximo ano.

PEDIDO POR REFORÇOS

- O principal motivo desta entrevista é falar sobre reforços. Tenho visto que há uma repercussão reiterada colocando um aparente conflito entre a diretoria e o Jair Ventura, nosso treinador. Nada melhor do que eu pessoalmente trazer a vocês a posição do Botafogo. Eu, em tudo que vi de futebol, nunca encontrei treinador que não quisesse reforços, isso é perfeitamente compreensível. É claro que a situação amplificou isso um pouco até por ansiedade da torcida. Porque de uma hora para outra, o Botafogo se colocou muito bem em três grandes competições. Lembro da viagem anterior, o Botafogo estava entre os 47 grandes da América do Sul. Terminou o grupo da morte em primeiro lugar. Quarta, estará com a sétima melhor campanha. É um grande trabalho da nossa comissão técnica, elenco, preparadores, jogadores... Isso é motivo de orgulho para a nossa torcida. Por sentir o time tão presente, tão próximo de atingir objetivo, é natural surgir certa ansiedade por mais nomes, mais jogadores, até para repor alguns que estão em fase de recuperação.

- Por isso vejo qualquer pleito do Jair com absoluta normalidade, até porque sei o que ele pensa, concordo com ele, falamos diariamente. Futebol tem um lado torcedor e não pode ser ele que vai conduzir as coisas. A legislação do Profut criou um divisor de água na gestão do clube. A responsabilidade com as contas, o grau de endividamento e a capacidade de geração de receitas está diretamente por conta dos administradores.

SITUAÇÃO FINANCEIRA

- Nosso orçamento que já era apertado sofreu algumas baixas significativas com relação a penhoras cíveis. A dívida do Botafogo estava em três grandes blocos: Ato Trabalhista, Profut, restam as dívidas cíveis. Essas com muito mais dificuldades de se criar acordos porque pessoas que dispunham de dívidas antigas e não cobravam, quando afastamos esses dois tipos de penhoras (Ato e Profut), essas pessoas voltaram a buscar esses recursos, e infelizmente não temos como ordenar esses credores. Não existe uma fila, uma legislação nesse sentido. São negociados caso a caso. Então algumas vezes sofremos penhoras.

- Vivemos outra questão: a Libertadores. Muitas pessoas acreditam que o fato de participar houve um aumento expressivo nas nossas receitas, quando de fato o clube recebe cota para jogos em casa. Toda logística para jogos fora é paga pelo clube. Portanto, dos U$ 650 mil que recebemos por jogo, ela praticamente cai pela metade. Um dos pontos que vou tratar lá na Conmebol é a regularização desses pagamentos. Até agora não recebemos pelo último jogo contra o Atlético Nacional, isso mexe bastante com nosso fluxo de caixa e pagamento de premiação para os atletas.

- E, dentro dessa política de reforços, como o Botafogo está bem, disputando a Libertadores como está com estádio disponível, customizado, ao invés de haver interesse dos empresários em trazer jogadores para cá, temos encontrado um aumento do preço quando o Botafogo se apresenta como interessado. Todos têm sido unânimes em indicar o ataque como o setor mais carente. São mais carentes até do futebol brasileiro.

CARACTERÍSTICA DO TIME

- Tudo que está ao nosso alcance tem sido feito no sentido de buscarmos reforços. Em 2016 fizemos tentativa no mercado sul-americano, teve altos e baixos, prós e contras, mas hoje estamos centrando nossa ação no mercado nacional. E o que faço questão de esclarecer, torcida do Botafogo, não se pode esperar grandes contratações, de impacto, esse não é o nosso horizonte.

- Nossa equipe corre, é solidária, se entrega 120%. Essa característica, harmonia, força de conjunto, é exatamente o que a gente vai continuar buscando e trabalhando. Temos tentado, um dos nossos compromissos com o grupo, é que não falte nada para eles. Que continuem esse trabalho digno dos maiores elogios. Com relação ao Jair, a relação é a melhor possível. Tive o privilégio de convidá-lo para ser técnico, não interino. Sempre confiei na capacidade dele. Os pedidos dele de reforços são justos.

CASO LUCIANO

- Hoje você tem muita dificuldade de se acertar com os empresários porque tem Lei Pelé como complicador, redução implantada pela Fifa de pessoas não serem detentoras de direitos econômicos de atletas, comissionamentos mais elásticos que o Botafogo pode pagar. Não dou como descartada, são conversas que ainda existem, mas não tenho como determinar prazo para a solução.

SOU BOTAFOGO

- Sócio tem uma importância fundamental. Quando assumimos eram 8 mil, hoje são 32 e temos espaço para crescimento. Estádio customizado, estamos finalizando a inclusão de nomes nas cadeiras. É muito importante a participação do torcedor. O preço é baixo e os planos são agressivos, que permitem apoiar a equipe e fazer uma belíssima economia ao assistir os jogos.

REUNIÃO COM O TIME

- Trouxe satisfação ao elenco. Primeiro, fiz um agradecimento. Não basta estar presente para cobrar, tem que agradecer pelo belíssimo trabalho. Trazer satisfação pela Libertadores. Em relação ao Montillo, expliquei que tentei ter Twitter, quase fiquei maluco e detonei o meu. Tem perfis falsos, torcedores de outros clubes, tem de tudo. Descartamos qualquer hipótese de devolução de salário. Confiamos muito na capacidade do Montillo e que vai dar muitas alegrias aos torcedores.

PROTESTO CONTRA A ARBITRAGEM DO JOGO COM O CORITIBA

- Todos saímos decepcionados com jogo, arbitragem interferiu, jogo em casa, poderíamos ter vencido tranquilamente. Árbitro sem nenhuma condição, o Botafogo apresentou novo protesto à CBF porque está muito preocupado com arbitragem. Não podemos seguir nesse caminho. Muito inconformismo uma vitória não vir por falta de critério.

QUANTIDADE DE CONTRATAÇÕES

- Não estamos limitando quantidade porque para ter 2 ou 3 reforços você precisa trabalhar com 6 ou 7 opções. Sabemos os nomes, a escala de prioridade e estamos trabalhando. Depende de quem vem, salário, espaço no orçamento, para saber se podemos caminhar um pouco mais. Sempre se trabalha buscando mais.

EMERSON SANTOS E AIRTON

- Com Emerson temos reunião marcado na próxima quarta, vamos tentar caminhar algo, sair do impasse. Já gostaríamos de ter resolvido. Fica um elogio ao profissionalismo do Emerson, tem atuado tranquilamente, sido de grupo e tem buscado espaço. Se a conversa fosse com Emerson e pai dele, já teríamos fechado. Mas o empresário é uma pessoa difícil e sonha manter direitos que a legislação não permite. Airton teve lesão séria, mas é um profissional importante para nós. Esperamos chegar a um entendimento.

VOLTA DE JEFFERSON

- É uma alegria grande para todos nós. Jefferson é um jogador diferenciado por todo o histórico que tem no Botafogo. No fim de 2014 perdemos 22 jogadores, ele bancou a permanência, enfrentou o desafio de voltar para a Série A. É um ídolo, profissional de alto gabarito, todos nós ansiamos pelo retorno dele. Jair vai ter esse doce problema de decidir entre ele e o Gatito, dois grandes goleiros.

Danilo Santos