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Sem desculpas

Jair Ventura admite frustração pelo resultado e pede mais equilíbrio por vitórias
Atualizado em 08-06-2017, 01h00

Eram diversos desfalques e jogar fora de casa, mas o Botafogo pareceu não sentir tanto as adversidades. Jogou melhor que o Santos, teve boas chances e foi derrotado apenas um gol de falta no último minuto do jogo. Um resultado injusto, mas que não abala o time para a sequência.

O técnico Jair Ventura concedeu entrevista coletiva após a partida e evitou procurar culpados ou desculpas. Para ele, faltou ao time decidir o jogo quando teve oportunidade. Confira os principais trechos:

GOLS PERDIDOS

– Faz parte, futebol é assim: se você não faz, depois você leva. Nós continuamos fazendo uma boa partida, tivemos a chance de gol com o Pimpão, mas a gente não conseguiu fazer, então paciência. Não foi o motivo, a gente não perdeu o jogo porque o Pimpão não fez o gol. A gente trabalha com esporte coletivo, sendo assim ganha todo mundo e perde todo mundo junto. O culpado não é o Pimpão e nem ninguém, somos todos nós. Está todo mundo no mesmo barco, nas horas boas e nas ruins. Modéstia à parte, nós fizemos dois jogos fora: um onde o Grêmio foi muito merecedor de vencer, e hoje... Quero a opinião de vocês. Se o Santos jogou para vencer o jogo. Acho que não. Mas futebol não é merecimento. O empate seria mais justo, e você acaba tomando gol nos acréscimos. Fica aquela frustração pelo rendimento. Você vem para um jogo contra o Santos com nove meninos da base, isso tem um preço. No Brasileiro você tem que ser cirúrgico, hoje nós não fomos, o Santos foi e conseguiu a vitória.

SENSAÇÃO RUIM

- Por conta da performance, fica um gosto amargo, aquela dor de cotovelo. Pelo rendimento da equipe, se alguém falar que o Santos mereceu a vitória é complicado. Sou um cara que analisa os dois lados. Fomos melhor na partida e tivemos as chances mais claras, com o próprio Matheus Fernandes também, que entrou livre na área. Chutou para fora. Temos de ser mais cirúrgicos para conseguirmos vencer fora de casa. Se a gente tiver pensando em voos maiores no Brasileirão, temos de equilibrar as vitórias dentro e fora de casa.

DESFALQUES DO ADVERSÁRIO

- Enfrentamos o Santos com mais de 12 desfalques. Santos sem Lucas Lima, Ricardo Oliveira, que são super decisivos. A gente teve uma grande chance de conseguir um resultado melhor. Fica um peso maior ainda. Com a equipe do Santos completa esse jogo seria muito mais difícil. Não posso esconder isso. São jogadores de seleção brasileira, que fazem falta, como os nossos fizeram para a gente.

JUVENTUDE X EXPERIÊNCIA

- Penso o seguinte em relação às categorias de base: temos de mesclar. Temos de usar a base e os jogadores experientes. Se fosse só para usar a base, grandes clubes que têm trabalho de base maravilhoso não contratavam tantos jogadores. Não é uma fábrica de carros. Por exemplo: você quer 10 carros daquele modelo, 10 atacantes de velocidade. Hoje a gente só tem o Guilherme. Ele machucou e a gente fica sem opção. O Pachu não é da mesma função. Temos o Roger para atacante, nosso segundo atacante é o Vinícius, que está machucado. Temos de usar os meninos. Há essa necessidade. O ideal é mesclar, mas dentro de uma necessidade e de um mercado muito difícil para o Botafogo, que vem de uma realidade financeira difícil, que em 2015 estávamos disputando uma Série B. Em 2016 a gente conseguiu a classificação para a Libertadores e hoje estamos em três competições, fica pesado. Mas não vou lamentar. Vou pedir para sair de uma das três competições? Claro que não. Vamos com jogadores da base e os que tiverem em melhor condição física. Vamos ver onde a gente chega até o final do ano. Vamos dar nosso melhor para chegar o mais longe nas três competições.

MONTILLO

- Foi o grande investimento do ano para o Botafogo. Uma pena que ele sofreu com as lesões. É um jogador muito diferenciado. Quando estiver em sua melhor forma física... Hoje o departamento de fisiologia me deu 15 minutos. O usei por 25. Não tem jeito. Quando ele recuperar a boa forma vai nos ajudar muito. Tenho certeza disso.

REFORÇOS

- Vou fazer uma analogia. A rede social é tão boa como também tão ruim em certos momentos. Tem uma coisa que se usa nas redes sociais que é a "expectativa versus realidade". A expectativa é que a gente contrate quatro ou cinco medalhões, mas e a nossa realidade financeira? O departamento de futebol do Botafogo está fazendo o possível e o impossível para trazer esses jogadores, mas a gente tem uma realidade coletiva que não podemos fugir. Não posso enganar a torcida e dizer que vamos trazer grandes nomes. Nossa realidade financeira não nos permite. Nosso departamento de futebol sabe da necessidade e a gente vai, dentro da nossa realidade, buscar reforços.

Botafogo de Futebol e Regatas