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Cabra da peste

Da base à patente no Nordeste, Igor Rabello trabalha por retomada no Botafogo
Atualizado em 17-03-2017, 08:48

Fruto de uma base que não para de render valores, Igor Rabello surgiu antes dos nomes mais citados no momento. Com passagem pela seleção brasileira, foi campeão na base nos anos de 2013 e 2014 e subiu ao profissional com os títulos do Torneio OPG sobre o Flamengo e do Campeonato Carioca ante o Fluminense. Em fase distinta, bem mais árdua para nossa gloriosa história, o jovem zagueiro trabalhou, aprimorou a técnica, os fundamentos e principalmente um aspecto: a paciência.

Botafogo x Fluminense, Sub-20

Vitorioso na base, Rabello subiu para o profissional em 2014 com títulos sobre Flamengo e Fluminense

A primeira oportunidade veio em 2016 e sem muita demora o empréstimo para o Náutico, time de grande importância na virada de Rabello. Lá ganhou rodagem, uma nova identidade e a confiança. De volta ao lar, o ainda jovem zagueiro de 21 anos surge como opção para a defesa de bons nomes à disposição de Jair Ventura.  

- Valeu muito a passagem pelo Náutico. É sempre importante para jogadores oriundos da base e que geralmente não tem oportunidades assim que sobem para o profissional. Foi uma nova experiência na minha vida, com diferenças na cultura, futebol e torcida. Joguei uma Série B, competição super disputada. O Sassá é um grande exemplo. Foi para o Náutico assim como eu e teve destaque lá. O jogador volta para o clube que o formou mais rodado, com jogos na bagagem. É bom conhecer coisas novas para voltar ainda mais forte para casa - destacou Rabello.

Garoto de General, Rabello teve o gosto da conquista na base e o dissabor da promoção ao time principal justamente no ano do rebaixamento do clube. Fora do esperado, mas de certa forma um tranco para a maturidade do atleta. Com o contato direto com zagueiros experientes, teve a sabedoria de parar e ouvir quem já passou pelo caminho que planeja trilhar.

- Subi em 2014 após ser campeão carioca e do torneio OPG. Foi um ano maravilhoso para mim, mas infelizmente não para o Botafogo. Ganhei muito com o contato com grandes zagueiros não só no Botafogo, como no Náutico também. São jogadores rodados, acima dos 30 anos, e que já viveram muito no futebol. Muita gente não gosta de ouvir e você tem que fazer isso. Se já passaram por tudo que ainda vai passar é porque podem te ajudar. Sabem orientar e peguei muita experiência, principalmente com o Carli e com o Emerson Silva. Estão sempre dispostos a ajudar - contou.

DO RIO AO RECIFE: NASCIA UM JOVEM GENERAL NO TIMBU

Emprestado ao Náutico para a disputa da Série B, Rabello chegou sem alarde na equipe Pernambucana, mas não demorou para ter a sonhada oportunidade. O então titular Adalberto se machucou em um rachão e foi a vez de Rabello demonstrar seu futebol. Pelo Timbu o zagueiro fez quinze jogos, marcou dois gols e caiu nas graças da torcida.

- Quando subi para o profissional tive uma oportunidade só em 2016, contra o Coruripe, pela Copa do Brasil. Depois fui para um grande clube de Recife, que é o Náutico, com uma torcida gigante. Não estava acostumado com isso. Meu primeiro jogo foi fora e em casa eles compareceram em peso. Quando a bola rola você só quer mostrar seu futebol, não sente muito isso. Consegui lidar bem com a pressão e pude me destacar. Já trabalhava desde o Botafogo e quando surgiu a oportunidade eu aproveitei. Consegui ganhar o torcedor e mostrei para eles o Igor Rabello jogando - lembrou.

O sucesso do jovem fez baixar a média de gols sofridos da equipe e colocou o Náutico até a última rodada na briga pelo acesso para a Série A. Boas atuações que lhe renderam um apelido por parte dos torcedores, uma identidade de um jovem que não tem medo de desafios.

- Esse apelido de "General" veio da torcida mesmo. Passei a receber mensagens após os jogos - atuei quinze vezes e marquei dois gols - e o segundo gol foi o mais especial, contra o Ceará, em casa, quando tivemos o recorde de público na Arena e marquei o gol da vitória aos 48 do segundo tempo. Fiz um sinal de General para eles e acabou pegando. Fiquei conhecido assim lá - recordou com alegria.

general-1Com boa passagem pelo Náutico, Rabello virou "General" para os torcedores do Timbu.

De volta ao Glorioso, Rabello vive novo momento na carreira. Com o clube na disputa da Copa Libertadores, o zagueiro ganhou oportunidades e tem sido utilizado por Jair Ventura no Campeonato Estadual, além de ter aparecido como opção nos desafios da pré-libertadores. Um novo horizonte e uma vontade de mostrar serviço ainda maior. Dá para duvidar que o garoto não pode chegar? Trabalho e paciência ele já provou ter.  

- Agora volto mais experiente e justamente nesse ano tão especial em que disputamos a Libertadores. Tive o prazer de estar na pré-Libertadores, sem dúvida é outro jogo, muito especial. Estou muito focado na Libertadores, no Estadual e no decorrer da temporada. Teremos mais campeonatos durante o ano e estou preparado para mostrar o meu futebol e ajudar a equipe. Ainda não joguei na Libertadores, mas fui aproveitado no Carioca e tenho buscado ser firme em todos os jogos, além de buscar fazer meus gols também - encerrou.

O Botafogo de Igor Rabello volta a campo no próximo domingo, às 18h30, diante do Vasco, pelo Campeonato Carioca. A partida será disputada no Estádio Nilton Santos.

Confira os principais momentos de Igor Rabello no Botafogo na galeria de fotos de Vítor Silva/SSPress/BFR!

 

Marcos Silva