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Heleno, o DNA do Botafogo

Confira a crônica do Gerheim no aniversário do ídolo alvinegro
Atualizado em 12-02-2017, 12h07

Todo dia 12 de fevereiro, a pequena São João Nepomuceno, na Zona da Mata de Minas Gerais, mantém uma tradição, como se fosse um dia de carnaval: festejar, relembrar as histórias, a vida agitada, os causos e sobretudo os gols de seu filho mais ilustre, o craque, a estrela que ela revelou e mandou para brilhar nos dias e nas noites de Copacabana, vestindo a camisa preta e branca do time da Estrela Solitária.

Com ela, nos anos 40, tornou-se ao mesmo tempo o ídolo maior do time, pelos gols e as jogadas que armava nos gramados cariocas (ainda não havia o Maracanã, inaugurado só na década de 50, e no qual Heleno pisou uma única vez, já na decadência e com a camisa vermelha do América) e fora dos campos pelas histórias de orgias e os amores com as mulheres de Copacabana, que ele conquistava por seu porte físico, sua beleza máscula, as roupas que faziam dele o galã dos jornais e revistas e de suas colunas de celebridades (também não havia ainda a televisão e muito menos a Internet e suas redes sociais). História contada no ótimo livro de Marcos Eduardo Neves, "Nunca Houve um Homem  como Heleno" e no cinema no belo filme "Heleno", interpretado por Rodrigo Santoro.

Por isso, faz muito bem o Botafogo, neste 12 de fevereiro, dia do grande clássico com  o Flamengo, no nosso belo palco do Nilton Santos, fazer como faz a orgulhosa São João Nepomuceno: homenagear e lembrar os gols e as grandes vitórias que fazem de Heleno, até hoje, o artilheiro alvinegro que mais fez gols no maior rival. Inclusive dois na goleada de 5 a 2, em General Severiano, o famoso "Jogo do Senta", aquele em que depois do quinto gol, eles sentaram em campo para impedir um massacre ainda maior. 

História que está tão bem retratada no belo livro do ilustre professor Paulo Cesar Guimarães, que traz no sangue, como todo alvinegro, o DNA de Heleno e da mais famosa galeria de artilheiros do futebol brasileiro, a do Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas.

Por ora representada (e bem) na Libertadores pelo nosso Rodrigo Pimpão.

Rio, 12 de fevereiro de 2017,

José Antonio Gerheim