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Artilheiro oculto

Ednilson Sena explica importância do condicionamento físico para decidir jogos
Atualizado em 21-10-2016, 13:30

Ele não faz gol, mas tem participação importante na construção das jogadas do Fogão, afinal, o condicionamento dos atletas do Botafogo tem feito a diferença nos últimas jogos e a equipe vem mantendo o nível de atuações durante os 90 minutos. Edinilson Sena, preparador físico, vê se seu trabalho render frutos e servir de suporte para os gols marcados nos momentos finais das partidas, uma vez que os jogadores conseguem corresponder ao desgaste e chegar nos instantes decisivos inteiros fisicamente.

De acordo com Ednilson, a preparação no Glorioso é tratada com prioridade e relevância. Além disso, acredita que a parte emocional está diretamente ligada ao desempenho físico, revelando que este quesito é bastante cobrado em seu método de treino. Bahia, como é conhecido entre o elenco, conta que é fundamental entregar um atleta apto para que a comissão técnica possa extrair o máximo rendimento em campo.

- Primeira coisa é o nível de concentração. Sempre falo para eles que durante a fase de exaustão o jogador perde um pouco do controle do jogo. Então pregamos que não pode ter relaxamento. Temos que estar atentos até o apito final. O lado psicológico conta muito. O cansaço mental fica ativo, revigora. Aí o corpo não responde. Então além do trabalho de preparação física, não se pode perder o foco, pois em um momento de desatenção do adversário definimos a partida, com um passe ou com uma conclusão - explicou.

Em futebol cada vez mais dinâmico, com entrega na marcação em todos os setores, Ednilson tem a dura missão de não somente condicionar, mas também de recuperar os jogadores, já que o calendário brasileiro é apertado e muitas vezes as equipes não possuem tempo para treinar entre um jogo e outro. O segredo é dosar os trabalhos feitos, com base em relatórios de intensidade de treinamentos e informações dos demais profissionais envolvidos.

- Temos uma equipe afinada, multidisciplinar. Eu não sou o dono da cocada preta, como a gente brinca lá na Bahia, dependo do trabalho de outras pessoas. O bolo é repartido. Tem o departamento médico, os fisioterapeutas. O Manoel Coutinho, nosso fisiologista, determina a carga de intensidade de treino, e o Rodrigo Vilhena, nutricionista, trabalha em cima da deficiência dos atletas, buscando a recuperação de calorias após uma atividade ou jogo desgastante - analisou.

No início do Campeonato Brasileiro, o Botafogo sofreu com lesões, o que acabou prejudicando a sequência do time, que não conseguia repetir as escalações nas partidas. Durante o decorrer da competição, a preparação física do clube trabalhou de forma inteligente, explorando o repouso muscular. E na reta final da temporada, justamente na época em que os jogadores geralmente estão mais fadigados, Ednilson consegue ter um elenco bem condicionado e habilitado fisicamente em suas mãos.

- Estudamos caso a caso. Quando determinado atleta chega a uma quantidade significativa de jogos, precisamos controlar o trabalho. Quando se trata de um jogador suspenso, vindo de uma sequência, deixamos ele inativo por um dia. Depois, avaliamos e analisamos a resposta física. O Bruno Silva, por exemplo, está chegando a 50 jogos na temporada, precisa de uma atenção redobrada para não lesionar. Todos os atletas são mapeados, assim conseguimos uma boa performance - contou.  

Com 43 anos, Ednilson Sena é formado em educação física e pós-graduado em treinamento esportivo. Com passagens por Fluminense, Vitória, Bahia, Coritiba e Portuguesa, chegou ao Botafogo no início de 2015 e participou da campanha que culminou com o título brasileiro da Série B.

Fernando Morani