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Crônicas do Gerheim

Leia o primeiro texto da coluna do jornalista botafoguense José Antonio Gerheim
Atualizado em 29-09-2016, 21:09

A DIFERENÇA

Na fria noite dessa segunda-feira, 26 de setembro, tive um emocionante reencontro na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) com três dos meus maiores ídolos da inigualável galeria do nosso Botafogo: Afonsinho, Paulo Cesar Caju e Ney Conceição. Todos já sessentões, mas ainda com o coração pulsando forte, unidos por uma paixão chamada futebol e por essa gloriosa camisa alvinegra com a estrela solitária no peito, que eles tanto honraram com seu talento, sua arte, seu empenho, suas vidas. Os três, personagens de um belo documentário sobre suas trajetórias, intitulado "Barba, Cabelo e Bigode", barba de Afonsinho, cabelo de Paulo Cesar Caju, bigode de Ney Conceição, de autoria do jornalista Lúcio Branco.

Um trabalho minucioso, singelo até, feito quase artesanalmente, com muito esforço e que só se tornou possível concretizar, por ter sido movido à paixão, ,que tanto diferencia o Botafogo e seus torcedores, sem demérito para os maiores rivais, do Rio do Brasil e do mundo. O que nos faz, na definição do poeta alvinegro Vinicius de Moraes, não nos preocuparmos em ser o maior em quantidade de adeptos, mas sim em amor por um clube diferenciado.

Essa diferença desfila na tela imagens, jogadas, dribles, gols, comemorações, não só dos três personagens, mas de outros que com eles formaram o espetacular time campeão juvenil de 1966 (eram os atuais juniores ou sub-20) no qual despontaram nomes como Cáo, Moreira, Zé Carlos, Valtencir, Carlos Roberto, Jairzinho, Arlindo, Roberto Miranda, Rogério, Ferreti, Humberto, Botinha e outros, que, no ano seguinte, sob o comando de Zagallo, viriam a se juntar aos supercraques Manga, Leônidas e Gérson “Canhotinha de Ouro” para formarem o timaço que nos levou aos bi da Taça Guanabara em memoráveis decisões contra o América (3 a 2,em 1967, três gols de PC Caju) e Flamengo (4 a 1, em 1968), Carioca, contra o Bangu (2 a 1 em 1967) e Vasco (4 a 0, em 1968) e a ser o primeiro e único  clube carioca a ganhar a Taça Brasil, que era o Campeonato Brasileiro da época, goleando na final por 4 a 0, no Maracanã, o Fortaleza, após eliminar,  entre outros, Palmeiras e Cruzeiro.
Mas, o documentário não esquece de mostrar também os ídolos que precederam a vitoriosa geração e serviram de exemplos para eles; lá estão Heleno de Freitas, Mané Garrincha, o maior de todos, Didi, Nilton Santos, Quarentinha, Amarildo. E uma bela homenagem a outro craque e ídolo, Marinho Chagas.

E foi viajando no tempo dessas imagens inesquecíveis que me transportei para o dia mais emocionante dos últimos anos para o orgulhoso torcedor do clube mais amador do futebol brasileiro; a terça-feira 20 de setembro de 2016, quando pudemos ver uma nova geração formada em nossa base entrar na bela e temida Arena Itaquerão e disputar cada bola, cada jogada, com o coração na boca, o talento nos pés e derrotar de forma contundente o poderoso e grande Corinthians por 2 a 0 e conquistar o Campeonato Brasileiro de Juniores, após campanha memorável.

Uma conquista que ficou simbolizada naquela última imagem, na qual os jogadores, a Comissão Técnica, de mãos dadas com a bandeira gloriosa estendida no gramado tendo ao centro o belo troféu, agradeceram em oração a gloriosa conquista e cantaram o hino imortal: “tu és o Glorioso, não podes perder, perder prá ninguém”. Uma geração, um grupo que tem tudo para repetir, meio século depois, a gloriosa geração “Barba, Cabelo e Bigode”, de Afonsinho, Paulo Cesar Caju e Ney Conceição.

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José Antonio Gerheim