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Aluno aplicado

Com bons professores, Jair Ventura completa 37 anos e acumula experiências
Atualizado em 18-03-2016, 15:57

Uma trajetória que começou em 2008 e perdura até hoje. Jair Ventura é sim o filho de Jairzinho, o Furacão da Copa de 70 e ídolo do Botafogo, se orgulha disso, mas não foi pelo pai que trilhou seu caminho no Glorioso. Estágios em América e Madureira, oportunidade única e a confiança de grandes treinadores do futebol nacional: conheça a carreira do auxiliar permanente do Botafogo e atualmente homem de confiança de Ricardo Gomes.

O futebol é uma porta estreita e às vezes para chegar no objetivo é preciso começar de outra forma. Jair Ventura teve suas primeiras oportunidades no América e Madureira, nos dois clubes como auxiliar de preparação física. Não era a função mais desejada, mas sem dúvida um bom começo para as portas se abrirem.

- Trabalhei no América e no Madureira como auxiliar de preparação física, mas já caminhando para a parte técnica e tática. Cheguei no Botafogo em 2008, o Cuca era o treinador e me tratou super bem. O Clube já contava com três preparadores físicos e eu seria o quarto - contou Jair.

Efetivado, Jair Ventura trabalhou com Ney Franco, treinador que viu seu potencial e o chamou para ser auxiliar técnico, mesmo já contando com dois profissionais na ocasião. Fruto do interesse em mostrar serviço.

- Acabei sendo efetivado e com a chegada do Ney Franco, em 2009, passei a ser auxiliar técnico. Já tinha visto uma carência do clube por não ter um auxiliar permanente, assim como também não contávamos com um observador técnico. Foi uma área que eu sempre gostei e passei a fazer os scouts dos jogos. O meio que encontrei para chegar e somar ao trabalho. Um amigo meu, o Ricardo Braga, me emprestou uma ferramenta muito boa que me dava os passes certos, errados, quem passava a bola para quem e em que momento... Com essa ferramenta eu tive mais entrada com os treinadores - disse o auxiliar.

A OPORTUNIDADE COM NEY FRANCO: JAIR VENTURA SE TORNA AUXILIAR

- Com o Ney Franco eu ganhei mais espaço. Ele me chamou na sala e falou que eu entendia bem a parte tática, estava sempre no campo ajudando... Perguntou se eu queria ser seu auxiliar mesmo já contando com dois. Topei na hora, era um sonho meu. O Anderson Barros(Gerente de Futebol) autorizou e eu passei a ser auxiliar técnico permanente do Botafogo.

INTERINO PELA PRIMEIRA VEZ

O ano era 2010. O Botafogo vinha de um fim de temporada conturbado, se livrando nas rodadas finais do rebaixamento sobre o comando de Estevam Soares. No Estadual, uma derrota mudou o comando da equipe e assim surgiu a primeira oportunidade de Jair Ventura comandar o Botafogo na beira do gramado. Joel Santana tinha sido contratado, mas deixou que o profissional, conhecedor do elenco, conduzisse a semana e o jogo contra o Tigres, em São Januário, vencido por 2 a 1.

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- O Estevam Soares chegou ao Botafogo no fim de 2009, nós quase fomos rebaixados e nos salvamos nas rodadas finais com os gols do Jobson. Em 2010 sofremos aquela goleada de 6 a 0 do Vasco e ele acabou não ficando no cargo. Assumi a equipe e peguei três dias de trabalho. Fizemos um jogo sob muita pressão contra o Tigres, em São Januário e vencemos por 2 a 1.

A ERA JOEL SANTANA: TÍTULOS APRENDIZADO E O "CARINHO DO PAPAI"

Joel Santana chegou ao Botafogo e, com sua irreverência já conhecida, disse de cara em sua coletiva de apresentação: "A festa vai começar". De fato começou e Jair Ventura foi o convidado de honra, presente na campanha do título Estadual diante do Flamengo após um campeonato de quebra de desconfianças e superação.

BOTAFOGO/TREINO

- Ganhei muito espaço com o Joel por ele ter deixado trabalhar a equipe assim que chegou. Ele pôde ver o meu trabalho e passou a confiar em mim, não pelo resultado do jogo, mas pelo que viu do meu entendimento de futebol. Casamos super bem, foi um aprendizado enorme. Um dos treinadores que trabalhei com a melhor leitura de jogo. O auxiliar observa tudo e passa para o treinador no intervalo. O Joel escutava tudo, assimilava e ainda falava umas cinco ou seis coisas que eu não tinha visto. Entende muito de futebol e muda a equipe como poucos. Ganhamos a Taça Guanabara e a Taça Rio, além daquele gol de Cavadinha do Loco na final. Foi um ano muito bom - lembrou o auxiliar.

OPORTUNIDADE NA SELEÇÃO BRASILEIRA

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- O Ney Franco me ligou perguntando se poderia contar comigo na seleção brasileira. Perguntei ao Joel Santana e ele me liberou na hora. Acabei não participando da reta final de 2010, mas fui para a minha primeira convocação para a seleção brasileira Sub-17. Era auxiliar do Emerson Ávila e em 2011 fomos campeões Sul-Americanos sobre a Argentina.

PRIMEIRA EXPERIÊNCIA COMO TREINADOR: SUB-20 DO BOTAFOGO

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- Em 2012 assumi o Sub-20 do Botafogo e fui campeão invicto logo na minha primeira competição, a Spax Cup, na Alemanha. Foi um grande laboratório e lá consegui colocar em prática tudo que aprendi. É diferente de ser auxiliar. Foi muito bom e cresci muito como profissional. Naquele time tivemos três convocações para a seleção brasileira. O Vitinho, o Gilberto e o Andrey, além de diversos jogadores que subiram para o profissional em 2013. Quando cheguei eu perguntei qual era o objetivo do clube: ser campeão ou formar atletas? Claro que isso anda lado a lado e conseguimos conciliar os dois.

BOTAFOGO NA LIBERTADORES: UM OBJETIVO REALIZADO

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Jair Ventura também trabalhou ao lado de Oswaldo de Oliveira no Botafogo e foi nesta oportunidade que o auxiliar realizou um dos seus objetivos no clube: classificar novamente o Glorioso para a Copa Libertadores.

- Em 2013 trabalhei com o Oswaldo de Oliveira e fomos Campeões Estaduais mais uma vez. Um dos maiores "títulos" pra mim foi a conquista da vaga para a Libertadores após 18 anos - lembrou Jair Ventura.

O DESAFIO DA SÉRIE B: BOTAFOGO DE VOLTA À ELITE

Botafogo x Nautico

Após um ano fora do Botafogo, Jair Ventura voltou ao clube em 2015, ano crucial e reformulação total. A Série B era uma realidade e o trabalho seria grande. René Simões foi o nome escolhido e o ponto inicial para uma grande temporada encerrada sob a batuta de Ricardo Gomes.

- Tive um espaço muito grande com a nova diretoria e pude ajudar o Antonio Lopes e o René na montagem do elenco. Foi muito gratificante. Nesses anos de observação criamos um banco de dados com muitos jogadores. Fui informando sobre os atletas que eu gostava e que estavam dentro das nossas possibilidades financeiras. O resultado veio muito rápido com o vice-campeonato Carioca, mesmo sendo chamados de "indigentes" por muitos. No Brasileiro também fomos bem, um ano muito bom.

FIEL ESCUDEIRO: RICARDO GOMES "ADOTA" JAIR VENTURA EM SEU RETORNO AO FUTEBOL

O CRÉDITO DA FOTO É OBRIGATÓRIO: Vítor Silva/SSPress/Botafogo  

Em 2011 Ricardo Gomes comandava o Vasco e num clássico contra o Flamengo sofreu seu segundo AVC, este com maiores consequências. A carreira do vitorioso treinador foi interrompida e o retorno foi com a camisa alvinegra quatro anos mais tarde. Jair Ventura acompanhou de perto a volta de Ricardo e vive uma relação de confiança até hoje com o treinador. Objetivo conquistado e um novo trabalho em 2016.

- Assisti o jogo quando ele teve o AVC no Vasco e minha esposa chorava mesmo sem conhecê-lo. Qualquer um fica triste numa situação daquela, ainda mais nós que somos do futebol. Me vi naquele banco de reservas. Foi muito triste e presenciar a volta desse ser humano a fazer o que mais gosta não tem preço. É gratificante e um grande momento na minha carreira. O Ricardo também deixou eu fazer o meu trabalho e isso ajudou na nossa boa relação. Fico feliz por ter sido seu interino em três jogos e a gente ter conquistado o título. Vemos o Ricardo evoluir a cada dia e isso é muito gratificante. Isso é o meu trabalho, o que me faz feliz.

EXPECTATIVAS PARA 2016

O CRÉDITO DA FOTO É OBRIGATÓRIO: Vítor Silva/SSPress/Botafogo

- Acredito muito na força do trabalho e isso é notório no nosso time. Muitos elogiam que o Botafogo já tem um padrão. Cobro muito a performance. Jogamos bem contra o Fluminense e acabamos empatando, assim como também já vencemos sem jogar bem. o desempenho tem que ser cobrado pelo time já ter essa cara. O Ricardo conseguiu isso mesmo sem muitas peças do ano passado. O Botafogo tem uma forma de jogar e quem entende de futebol sabe disso. O Campeonato Brasileiro é a competição mais disputada do mundo. Mas acreditamos na força do trabalho e que estamos no caminho certo. Confiamos na nossa diretoria e esperamos fazer um ano muito bom para ver o Botafogo brigando na parte de cima da tabela.
 

GRATO AO BOTAFOGO
FALA, JAIR!

"Na verdade o cara que trabalha no clube é muito privilegiado. Eu não sou bom, eu sou um bom aluno. Eu aprendo um pouco com cada treinador e procuro extrair o melhor de cada um. Todos nós temos defeitos e tento deixar de lado. Pego um pouco do treino de um, o momento de substituir de outro... Isso é ótimo para o auxiliar permanente".

 

Confira os depoimentos de treinadores que trabalharam com Jair Ventura no Botafogo:

JOEL SANTANA (2010-2011)

- Eu não conhecia o Jair antes do Botafogo. Quando cheguei o grupo vivia uma série de situações e eu não os conhecia. Fiz certo em deixar o Jair comandar o primeiro jogo, ele foi muito bem e conhecia toda a situação do elenco.

- Vencemos e demos início ao trabalho que foi muito bom para nós. Terminou em títulos e fico feliz por ter conhecido um profissional promissor, qualificado e muito honesto. É um cara capaz e no futuro próximo terá uma oportunidade. É um excelente treinador e até hoje mantemos uma amizade. Fez aniversário um dia desses e eu não pude ir, mas mandei uma mensagem para ele fazer outra festa para o papai participar.

- Foi uma convivência bacana e que guardo com muito carinho. Torço por ele toda vez que tem uma oportunidade de comandar a equipe. Acho que já está pronto. Começou sem se precipitar, é um rapaz simples e será um grande treinador. Ele terá sua oportunidade no futebol.

- Todo mundo que conhece o Jair gosta de estar com ele, é um garoto simples e trabalhador. Tenho uma lembrança boa daquele título de 2010... O jogo acabou e quando me viro o Jair veio correndo e me tascou um beijo no rosto. Um gesto de agradecimento e ficou marcado.

RENÉ SIMÕES (2015)

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- O Jair é um profissional de altíssimo potencial. Vê com um detalhamento impressionante uma partida de futebol e sabe transmitir o que viu com facilidade. Não se omiti em dar opiniões mesmo que em discordância com seu superior e faz com muito respeito. Tem sensibilidade e variedade para dar treinamento e corrigir erros dos atletas. Além disso se relaciona muito bem com a comissão técnica. Não tenho dúvidas que terá um futuro promissor.

Marcos Silva