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Tu És o Glorioso - 5

Vestindo azul e branco, Botafogo derrota campeão europeu e levanta troféu em 1996
Atualizado em 17-02-2015, 16h30

Por Auriel de Almeida - Historiador

Em alta após o título brasileiro de 1995, o Botafogo foi convidado para uma série de taças amistosas no exterior - e venceu todas. Antes de sair do país, o Glorioso faturou a Copa Rio-Brasília sobre o Vasco; na sequência embarcou para o Japão, onde conquistou a Copa Nippon Ham contra o Cerezo Osaka; passou pela Rússia e ganhou o Torneio Presidente da Rússia em final com o espanhol Valencia; e encerrou a excursão vitoriosa conquistando o tradicional Troféu Teresa Herrera na Espanha, em final contra o campeão europeu Juventus: quatro taças em menos de um mês.

A última teve um gostinho especial, não só pela qualidade do adversário, campeão da Liga dos Campeões há poucos meses, mas pelas circunstâncias em que foi vencida. Inicialmente convidado com pompa, o Botafogo foi surpreendido com o tratamento recebido pela organização do torneio. A cota alvinegra por partida era de 50 mil reais, cinco vezes inferior à da Juventus e seis vezes à do holandês Ajax; a delegação dos clubes europeus foi hospedada no hotel mais caro da região enquanto a do Botafogo ficou em um de três estrelas; e todas as equipes ganharam dez bolas idênticas às que seriam usadas na competição, menos os botafoguenses que receberam duas, e diferentes.

Em campo, o Glorioso mostrou que não era um coadjuvante. Na estreia, uma semifinal, o Alvinegro despachou o anfitrião Deportivo La Coruña por 2 a 1. E foi para a decisão contra a forte Juventus, que havia eliminado o Ajax - atual campeão intercontinental e campeão europeu do ano anterior - por expressivos 6 a 0.

O JOGO


Antes da bola rolar, alvinegros do Brasil e da Itália se desentenderam. Tudo começou quando os botafoguenses não aceitaram um pedido dos italianos, que queriam que o limite de substituições na final fosse aumentado de três para cinco. Em represália a Juventus se agarrou ao regulamento que dava ao clube mais antigo o direito de escolher o uniforme das equipes. E como o juiz implicou com a camisa reserva do Bota, preta com mangas listradas, o time carioca foi obrigado a usar o uniforme azul e branco emprestado pelo La Coruña - que seria usado até o fim do jogo, sem direito a troca no intervalo, pois não haviam extras.


lacoruna
Botafogo comemora título com uniforme do Deportivo La Coruña


A situação humilhante serviu de motivação para os jogadores alvinegros, que fizeram frente ao campeão europeu - e ainda garantiu o apoio dos torcedores espanhóis presentes, que torceram com ardor para a Estrela Solitária. Atrás do placar nada menos do que quatro vezes, o time correu atrás do empate em todas, levou a partida para os pênaltis e conquistou o título.

O primeiro gol da Juve veio aos 23 minutos do primeiro tempo: Del Piero cruzou da direita e Vieri, vencendo a zaga rival, concluiu de cabeça. Na frente, os italianos controlavam as ações no meio-de-campo com tranquilidade, impedindo que os brasileiros criassem, e levaram a vantagem para a etapa final. Mas logo no início do segundo tempo Wilson Goiano recebeu de França, na direita, e fez belo lançamento para Túlio Maravilha, desmarcado como sempre, marcar: 1 a 1.

Os italianos retomaram a dianteira aos 30 minutos, quando Di Livio entrou na área sem marcação, correu até a linha de fundo e tocou para trás, achando Amoruso livre: 2 a 1 para a Juventus. Só que na jogada seguinte o Botafogo conseguiu um escanteio, e após corte da defesa rival França emendou um chute forte, sem defesa, da entrada da área: 2 a 2, resultado que levou a partida para a prorrogação.

O Glorioso voltou a ficar atrás do placar logo aos cinco minutos do tempo extra. Em contra-ataque, Amoruso recebeu livre pela esquerda, entrou na área e fez: 3 a 2. E mais uma vez os insistentes botafoguenses empataram, quando no final da etapa Peruzzi não conseguiu segurar forte cobrança de falta de Souza – a bola bateu no peito do goleiro, na cabeça do lateral Ferrara, que marcava Túlio, e entrou. Marco Aurélio, perto do lance, saiu em comemoração como se o ponto fosse dele, só que o árbitro não deu o gol nem para Marco Aurélio nem para Ferrara, mas para Túlio Maravilha. Após o jogo o ídolo, com raiva dos italianos, afirmaria que empurrou a bola com a mão, mas as câmeras confirmaram que o gol foi contra. Só Túlio mesmo para inventar que fez um gol "roubado".

Quando todos já esperavam a disputa de pênaltis a Juventus voltou à frente. A defesa do Bota errou a linha de impedimento e Amoruso, mais uma vez, aproveitou ótimo passe: 4 a 3, a três minutos do fim. E quando todos já não esperavam uma disputa de pênaltis, Túlio recebeu no último lance da partida, entrou pelo meio de dois rivais e saiu na cara do gol, sendo calçado. Pênalti claro que o próprio converteu: 4 a 4.

Nas penalidades, Wágner brilhou. Defendendo chutes de Amoruso e Di Livio, o goleirão foi fundamental nos humilhantes 3 a 0 (sim, os rivais não fizeram um único gol!) que garantiram mais uma taça para o Glorioso. E uma coincidência curiosa acabou destacada na imprensa: como em 1994, brasileiros levavam a melhor sobre italianos nos pênaltis.

Confira o vídeo com os gols e os pênaltis do título do Botafogo!



==Ficha técnica==


Sábado, 10 de agosto de 1996
Botafogo 4 x 4 Juventus – Local: Estádio Municipal de Riazor
Troféu Teresa Herrera – Final

Botafogo: Wágner, Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Grotto e Jefferson; Souza, Otacílio, Marcelo Alves (Marcos Aurélio) e França (Zé Carlos); Sorato (Mauricinho) e Túlio Maravilha. Técnico: Ricardo Barreto.

Juventus: Peruzzi, Ferrara, Torricelli, Porrini e Montero; Jugovic, Di Livio e Deschamps; Vieri (Boksic), Del Piero (Amoruso) e Padovano (Ametrano). Técnico: Marcello Lippi.

Árbitro: Antonio Jesús López Nieto (ESP).

Gols: Vieri aos 23/1ºT; Túlio aos 6/2ºT, Amoruso aos 30/2ºT e França aos 31/2ºT; Amoruso aos 5/1ºTP; Túlio aos 15/1ºTP, Amoruso aos 12/2ºTP e Túlio aos 15/2ºTP.

Pênaltis: Botafogo 3-0 Juventus (Wilson Goiano, Gottardo e Souza)

Expulsões: Torricelli, Montero e Otacílio.

Público: 10.000 (estimado)